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Segunda-feira, Fevereiro 17, 2003  

 

É fácil notar o quão terrível e absolutamente inferior é a arquitetura moderna (falo do século XX), tomando por guia as formulações de Le Corbusier. Não sou nem um pouco entendido em arquitetura; mas, até onde pretendo arrazoar, basta muito pouco. Afinal, não adianta acusarem-me de não "me esforçar o bastante" para compreender a arquitetura moderna, já que ela constitui, sem tirar nem por, simplismo nu e cru, projetada como foi para obter compreensão por parte do vulgo e dos idiotas (homens "práticos e funcionais"). Isso não fui eu quem disse; leiam os defensores da Bauhaus. Num livro regulamentar de História de Arquitetura muito usado nas universidades, o autor inicia dizendo que a arquitetura morrera atropelada, no início do século XX, por um bonde (refere-se ao último arquiteto espanhol). Não há opinião mais acertada.

Quanto à arquitetura dita pós-moderna -- feita para não ser entendida, ou melhor, para ser entendida como "nonsense" -- praticamente não há o que dizer. Eles querem soar esquizofrênicos. Isso eu concedo: são esquizofrênicos. Sejamos claros: o belo não é schizos (divisão, fragmentação), anormalidade, patologia, mas, ao contrário, elevação, símbolo que é da unidade na diversidade -- incomum, sim, mas não meramente desviante. Não se trata de "um" conceito de belo: é o único conceito saudável de belo, em contraposição ao conceito de "belo" (feiúra, delírio) dos habitantes de hospitais psiquiátricos, com razão excluídos da convivência dos homens nos tempos em que se cultivava o senso estético. E não convém discutir arte com esquizofrênicos: eles ouvem só a si mesmos, distorcem tudo, babam, ouvem cores e vêem vozes.

Sobre esse assunto, leia-se o seguinte artigo recomendado por Stefano Borselli em e-mail enviado a mim recentemente:

Il Fondamentalismo Geometrico.

Assim, quando estiver numa discussão sobre a superioridade da arte tradicional, economiza a tua retórica: fala um pouco sobre arquitetura moderna, partindo das suas bases conhecidas. E não deixe de perguntar: o que é mais belo, ô celerado, esse prédio em forma de caixa retangular em que moras ou a catedral de Notre Dame?

Se ele partir para considerações sobre "funcionalidade e practicidade", não deixe de se retirar do ambiente com ar trágico e piedoso, com firme e latente próposito de rezar por aquela alma torturada.

 

Julio Lemos